Slave Wrecks Project

Slave Wrecks Project

O Instituto Afrorigens dedica-se à pesquisa, localização, estudo e conservação do patrimônio cultural subaquático relacionado ao tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, com ênfase na valorização das histórias e resistências das comunidades afrodescendentes – especialmente as quilombolas. Um dos pilares que impulsionam nossa missão é a parceria estratégica com o The Slave Wrecks Project (SWP), que tem ampliado nossas perspectivas e potencializado as ações de campo. Essa colaboração tem sido fundamental para o desenvolvimento do Projeto Camargo, consolidando-se como aliada essencial desde o início das pesquisas arqueológicas, em 2021.

O Projeto Camargo investiga os vestígios do brigue escravagista Camargo, naufragado propositalmente em 1852 na Baía de Angra dos Reis, logo após desembarcar mais de 500 africanos escravizados vindos de Moçambique. Ligado à atuação do capitão Nathaniel Gordon – o único comandante de navio nos EUA condenado e executado por tráfico de pessoas – o projeto busca resgatar memórias e promover reflexões profundas sobre os impactos do tráfico atlântico e da diáspora africana. Ao combinar a arqueologia com relatos orais e a participação ativa do Quilombo Santa Rita do Bracuí, transformamos vestígios materiais em instrumentos de empoderamento e reparação histórica. Alinhada aos valores do SWP, essa sinergia fortalece nossas ações conjuntas e amplia o alcance da pesquisa e do engajamento comunitário.

Graças a essa parceria, nossos pesquisadores tiveram a oportunidade de participar de expedições arqueológicas internacionais de grande relevância. Durante as campanhas realizadas na Ilha de Moçambique – em julho/agosto de 2023, janeiro de 2024 e julho/agosto de 2024 – a equipe do Afrorigens integrou grupos de especialistas de diversas partes do mundo para investigar o naufrágio do IDM013. Coordenado pelo Centro de Arqueologia, Investigação e Recursos da Ilha de Moçambique (CAIRIM), da Universidade Eduardo Mondlane – integrante da rede do SWP – esse intercâmbio possibilitou a aplicação de metodologias de ponta na documentação arqueológica e aprofundou o debate sobre a herança subaquática e a memória da diáspora africana, fortalecendo nossa abordagem decolonial e os vínculos colaborativos com as comunidades envolvidas.

Outro marco dessa parceria ocorreu entre os dias 8 e 20 de junho de 2024, na Ilha de Gorée, em Dakar, Senegal, durante o segundo módulo da SWP Academy, um curso de formação em Arqueologia Marítima. Nessa ocasião, o arqueólogo Gilson Rambelli, da Universidade Federal de Sergipe e do Instituto Afrorigens, integrou o corpo de formadores do curso, realizado em colaboração com a URICA, da Universidade Cheikh Anta Diop. Esse espaço foi fundamental para a capacitação de novos profissionais e para o intercâmbio de experiências que enriquecem tanto a pesquisa acadêmica quanto a prática arqueológica em campo.

A sinergia entre o Instituto Afrorigens, o SWP e os parceiros do Projeto Camargo reafirmam nosso compromisso com a justiça social, a reparação histórica e o fortalecimento das comunidades quilombolas. Cada expedição, cada aula e cada ação colaborativa nos aproxima do propósito de transformar sítios arqueológicos em instrumentos de memória viva e resistência, assegurando que narrativas antes marginalizadas sejam reconhecidas e valorizadas.

Convidamos você a acompanhar nossa jornada – uma união de esforços, intercâmbio de conhecimentos e paixão pela história – que se traduz em ações concretas para honrar o legado de comunidades negras e construir um futuro mais justo, consciente e inclusivo.